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Qui, 29 de Julho de 2010 01:36

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Analista de Planejamento e Orçamento do MPOG

 

 

Caros alunos,

 

 

Vamos à resolução da prova de Analista de Planejamento e Orçamento, 2010.

 

 

Nível de dificuldade da prova: médio/difícil

 

 

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA - Prova 1 Gabarito 1

 

32- Sobre o tema ‘planejamento estratégico’, é correto afirmar:

a) a análise das ameaças e oportunidades do ambiente externo da organização é mais

importante que a análise dos pontos fracos e fortes de seu ambiente interno.

b) é um processo que abrange a organização de forma sistêmica, compreendendo

todas as suas potencialidades e capacidades.

c) os conceitos de missão e visão se equivalem, podendo um substituir o outro.

d) conta, atualmente, com uma metodologia padronizada para aplicação nas diversas

organizações, sejam elas públicas ou privadas.

e) uma vez iniciado, pode ser revisto apenas de ano em ano, desde que tais revisões

tenham sido previstas em sua formatação original.

Resposta: B

A resposta não abrange o conceito de planejamento estratégico propriamente dito,

mas uma de suas características: a sistêmica, ou compreensiva, que abrange toda a

organização.

 

33- Sabendo que poucas causas levam à maioria dos problemas, bem como que a

identificação da causa básica de um problema deve ser feita de acordo com uma

sequência de procedimentos lógicos, baseada em fatos e dados, o recurso gráfico

utilizado para estabelecer uma ordenação nas causas de perdas que devem ser

saneadas denomina-se:

a) Diagrama de Pareto.

b) Diagrama de Ishikawa.

c) Funcionograma.

d) Histograma.

e) Fluxograma.

Resposta: A

A síntese do Diagrama de Pareto é: 20% das causas causam 80% dos problemas.

Esse diagrama é apresentado em forma de Gráfico de Barras.

Portanto, está de acordo com o enunciado da questão, em que “poucas causas levam

à maioria dos problemas” e trata-se de “recurso gráfico utilizado para estabelecer uma

ordenação nas causas”.

 

34- Assinale a opção incorreta.

a) Ao adotar um modelo de sistema fechado, a organização tende a ser conduzida,

gradativamente, a níveis cada vez mais altos de entropia e desagregação.

b) As pessoas não resistem necessariamente a mudanças.

c) Uma organização pode mudar em função do produto, mas não em função do

mercado, sob pena de transmutar-se em uma nova organização.

d) De uma forma geral, as abordagens teóricas sobre mudança organizacional

sugerem a necessidade de incorporação de processos mais democráticos e

participativos.

e) Mesmo organizações públicas, com suas amarras legais e burocráticas, são

passíveis de mudanças causadas pelo ambiente.

Resposta: C

A orientação para o produto foi utilizada pelas empresas privadas, mas há muito foi

abandonada – as organizações modernas orientam-se para o mercado e para o

cliente.

 

35- Sobre o tema ‘departamentalização e divisão do trabalho’, é correto afirmar:

a) por ser contemporânea, a abordagem matricial é preferível à funcional.

b) em ambientes que privilegiam resultados, inexiste espaço para a adoção de

estruturas colegiadas ou de assessoramento.

c) a abordagem de organização virtual é mais aplicável à estruturação de indústrias

navais.

d) em organizações matricialmente estruturadas, a preocupação com a hierarquia é

abolida.

e) em grandes organizações, é possível a coexistência de dois ou mais tipos de

departamentalização.

Resposta: E

As Organizações atuais são mais flexíveis. Não somente em grandes organizações,

mas em médias empresas também é possível utilizar mais de um tipo de

departamentalização.

 

36- No dia-a-dia organizacional, as relações humanas trazem vários desafios. Estar

pronto para lidar com eles implica saber que:

a) o uso do poder coercitivo é válido na resolução de conflitos.

b) remuneração é um fator motivacional.

c) o trabalho em equipe garante o alcance dos melhores resultados.

d) o melhor técnico tende a ser o melhor chefe.

e) em nosso tempo, não há mais espaço para o carisma no exercício da liderança.

Resposta: A

RH não é minha praia, mas vamos lá. O poder coercitivo é utilizado em conflitos sob

pena de os conflitos perdurarem no tempo – em determinada hora alguém terá que por

um ponto final no conflito, coercitivamente.

 

37- Sobre a incorporação de novas tecnologias e seus impactos na administração

organizacional, é incorreto afirmar que:

a) o desabrochar do potencial transformador das novas tecnologias depende da

existência de um contexto social que permita aos gerentes reconhecer as

oportunidades oferecidas por elas.

b) as novas tecnologias são aquelas capazes de incrementar as habilidades de

registrar, armazenar, analisar e transmitir grandes volumes de informações complexas

de maneira segura, flexível, confiável, imediata e com independência geográfica.

c) a informatização requer dos indivíduos novas habilidades cognitivas, psicológicas e

intelectuais, a fim de que possam adquirir e processar o conhecimento requerido para

o desempenho de seus trabalhos.

d) o trabalho da alta gerência pode ser integralmente explicitado e transmitido aos

níveis intermediário e operacional, razão pela qual, no futuro próximo, as organizações

funcionarão sem chefes ou líderes.

e) as novas tecnologias têm o potencial de, com o uso de programas de software,

aprimorar ainda mais a automação das atividades humanas por meio de sua

programação, racionalização, e controle.

Resposta: D

Ainda que a alternativa A seja um tanto subjetiva, certamente a alternativa D é

inaceitável - organizações sem chefes ou líderes ?? certamente que não. Imaginem

um carro sem motorista, um avião sem piloto, um município sem Prefeito, um País

sem presidente – é claro que isso não é possível.

A mudança que ocorre é que os chefes tradicionais se transformam em uma espécie

de líder motivador e facilitador.

 

38- A análise da evolução da administração pública brasileira, a partir dos anos 1930,

permite concluir acertadamente que:

a) com o Estado Novo e a criação do DASP, a admissão ao serviço público passou a

ser feita exclusivamente por meio de concurso público, sendo descontinuadas as

práticas do clientelismo e da indicação por apadrinhamento.

b) a reforma trazida pelo Decreto-Lei n. 200/67 propugnou pela descentralização

funcional do aparelho do Estado mediante delegação de autoridade aos órgãos da

administração indireta para a consecução de muitas das funções e metas do governo.

c) a partir de meados do século XX, com o desenvolvimentismo, deu-se a ampliação e

a consolidação da administração direta, principal gestora das políticas públicas

implementadas pela administração indireta.

d) a partir dos anos 1980, dadas a falência do estado do bem-estar social, a crise

fiscal e a redemocratização, as reformas do aparelho do Estado passaram a seguir

uma estratégia única e homogênea.

e) os ‘50 Anos em 5’ e a construção de Brasília, no período JK, representaram a pedra

fundamental do que viria a ser a adoção do gerencialismo no serviço público.

Resposta: B

A reforma do DL 200/67 descentralizou administrativamente e centralizou

politicamente.

A descentralização funcional é aquela em que se transfere a competência e a

execução a outro ente que pode ser de direito público e eventualmente de direito

privado. Houve também a delegação de autoridade (de competência).

Aliás, recordemos que os princípios trazidos pelo DL 200 foram: planejamento,

coordenação, descentralização, delegação de competência e controle.

 

39- Acerca dos modelos de gestão patrimonialista, burocrática e gerencial, no contexto

brasileiro, é correto afirmar:

a) cada um deles constituiu-se, a seu tempo, em movimento administrativo autônomo,

imune a injunções políticas, econômicas e culturais.

b) com a burocracia, o patrimonialismo inicia sua derrocada, sendo finalmente extinto

com a implantação do gerencialismo.

c) o caráter neoliberal da burocracia é uma das principais causas de sua falência.

d) fruto de nossa opção tardia pela forma republicana de governo, o patrimonialismo é

um fenômeno administrativo sem paralelo em outros países.

e) com o gerencialismo, a ordem administrativa se reestrutura, porém sem abolir o

patrimonialismo e a burocracia que, a seu modo e com nova roupagem, continuam

existindo.

Resposta: E

O gerencialismo ou administração gerencial é a forma predominante de administração

atual - porém a administração burocrática ainda persiste e no Núcleo Estratégico de

forma predominante, e a administração patrimonialista ainda está presente sim

(lembram do Sarney no Senado em 2009 ?? é um caso típico de patrimonialismo).

 

40- Com a Emenda Constitucional n. 19/1998, o tema ‘desempenho institucional’, no

âmbito da administração pública federal direta e indireta, passou a contar com a

possibilidade de incorporação das seguintes inovações, exceto:

a) ampliação, mediante contrato, da autonomia gerencial, orçamentária e financeira de

órgãos e entidades da administração direta e indireta.

b) pagamento, a órgãos e entidades que cumpram as metas preestabelecidas, de

bônus por desempenho.

c) pactuação de metas de desempenho entre órgãos e entidades da administração

direta e indireta e órgãos centrais do governo.

d) autonomia administrativa para o estabelecimento e uso de regras próprias de

licitação e de contratação de pessoal sem concurso público.

e) pagamento de prêmio de produtividade por economia com despesas correntes.

Resposta: D

Mesmo sem ler a emenda 19 era possível acertar essa questão, pois uma das grandes

marcas da CF/88 na administração pública foi à exigência incondicional de contratação

via concurso público, tanto para a administração direta como para a administração

indireta - exceto para cargos em comissão.

 

41- Assinale a opção correta.

a) Por determinação constitucional, o orçamento participativo, como instrumento de

soberania popular, visa à ampliação da democracia direta.

b) O objeto da Administração Pública Gerencial é o desenvolvimento dos processos

participativos de gestão pública.

c) O exercício da Governança Pública, a exemplo do que ocorre no orçamento

participativo, implica o aumento da importância do uso de critérios técnicos nos

processos de decisão.

d) A ascensão de valores neoliberais e o chamado esvaziamento do Estado são

considerados forças propulsoras do movimento da Governança Pública.

e) Os processos participativos de gestão pública representam uma completa ruptura

em relação ao modelo tradicional burocrático.

Resposta: D

O liberalismo/neo-liberalismo apregoava o Estado mínimo e assim o Estado não

atuava onde deveria atuar (até mesmo em áreas prioritárias) o que deixava enormes

vazios chamados atualmente de “déficit institucional”.

Com a retomada democrática, esse “esvaziameno do estado” foi sendo preenchido

pela sociedade. A própria sociedade foi conquistando seu espaço para participar das

decisões da vida pública, e a Governança Pública se fortaleceu.

 

42- Acerca da contratualização de resultados, pela administração pública, é correto

afirmar:

a) segundo alguns doutrinadores do Direito Administrativo, o Contrato de Gestão não

seria o termo adequado para a pactuação entre órgãos da administração direta.

b) como área temática, a contratualização de resultados tem por objetivo maior a

redução das amarras burocráticas impostas à administração direta.

c) o Contrato de Gestão, quando firmado com OSCIPs, prescinde do estabelecimento

de padrões de desempenho.

d) a contratualização de resultados nada mais é que um dos processos de

terceirização preconizados pelo Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, de

1995.

e) o Termo de Parceria, quando firmado com Organizações Sociais, obriga ao

estabelecimento de padrões de desempenho.

Resposta: A

Nessa questão o candidato deveria conhecer a doutrina administrativa, em que são

questionados conceitualmente a utilização do termo “contrato” por estar subentendido

interesses opostos, enquanto que entre órgãos públicos perseguem-se os mesmos

interesses – nesse caso, o termo “convênio/acordo” seria mais adequado.

 

43- Os sistemas de controle interno e de controle externo da administração pública

federal se caracterizam por:

a) constituírem um mecanismo de retroalimentação de uso obrigatório pelos sistemas

de Planejamento e Orçamento.

b) no caso do controle interno, integrar o Poder Executivo; no caso do controle

externo, integrar o Poder Judiciário.

c) serem instâncias julgadoras das contas prestadas por gestores e demais

responsáveis pelo uso de recursos públicos.

d) não poderem atuar ou se manifestar no caso de transferências voluntárias da União

aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios.

e) serem autônomos entre si, não havendo subordinação hierárquica entre um e outro.

Resposta: E

O controle interno é de um poder e o controle externo é de outro poder – portanto, não

há como se falar em hierarquia, pois esta se encontra restrita a estrutura interna de

cada poder ou órgão.

 

44- Ética – não é matéria da qual ministro aulas.

 

45- Sobre a forma de prestação de serviços públicos, é correto afirmar:

a) a centralização administrativa é permitida; a concentração administrativa é vedada.

b) a descentralização administrativa permite a participação de entes não-estatais.

c) consórcios públicos são exemplos de desconcentração administrativa.

d) descentralização administrativa implica desconcentração administrativa.

e) a desconcentração administrativa pressupõe a existência de duas pessoas

jurídicas.

Resposta: B

Bastava saber os conceitos de desconcentração e descentralização. Uma das formas

de descentralização administrativa é a “por colaboração” também chamada de

“delegação” em que se descentraliza somente a execução sem a transferência de

competências. É o caso dos concessionários e permissionários de serviços públicos.

 

Forte abraço a todos e bons estudos!

Prof. Augustinho Vicente Paludo

Formado em Administração - Pós-Graduado em Administração Pública - com MBA em Gestão Pública.

Analista Administrativo do TRE-Pr - Ex-diretor de Planejamento, Orçamento e Finanças da Justiça Federal do Paraná e Ex-Analista de Finanças e Controle da CGU-Rs.

Professor de Orçamento, Afo e Administração Pública e Planejamento Governamental - em cursinhos e, eventualmente, em nível de Pós-Graduação - e Tutor da ESAF (Pr, Sc e Sp).

Autor do livro: Orçamento Público, AFO e LRF, 3.ed. Rio de Janeiro: CAMPUS, jan/2012. Livro completo sobre Orçamento, AFO e LRF, suficiente para responder questões dessa matéria em qualquer concurso.

Autor do livro: Administração Pública, 2.ed. Rio de Janeiro: CAMPUS, Jan/2012. Abrange 100% do edital de AFRF e mais diversos assuntos cobrados em concursos. Com novo capítulo: Gestão de Projetos, Gestão de Processos e Gestão de Contratos.

Autor do livro: Planejamento Governamental. São Paulo: ATLAS, Jun/2011. Mais direcionado para profissionais públicos e meio acadêmico. No entanto, poderá ser utilizado para concursos, especialmente os do MPOG, TCU, CGU e Agências.

 

Conquistar uma vaga no serviço público só depende de você: se você estiver disposto a estudar com dedicação e perseverança, então a vaga já é sua, trata-se apenas de uma questão de tempo!

Última atualização em Sex, 13 de Janeiro de 2012 12:26
 

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